Por
Profª. Jeana Andrea
Todos sabemos que para tudo há uma evolução e isso, independente de ser boa
ou má, faz parte do processo do nosso planeta que já passou por diversas
Eras até chegar ao padrão em que se encontra. Essas Eras tiveram tanto a
interferência do homem quanto a interferência inerente da natureza.
A
Geologia é a ciência
que estuda a Terra e sua estrutura, sua idade e continuas transformações
pelo tempo, bem como dos materiais orgânicos que a constituem.
As
Eras Geológicas correspondem a grandes intervalos de tempo divididos em períodos
que, por sua vez, são subdivididos em épocas e idades. Cada uma dessas
subdivisões corresponde a algumas importantes alterações ocorridas na evolução
de nosso Planeta.
Era
Pré-Câmbriana
Intervalo de tempo
correspondente a 80% da história geológica da Terra. Iniciado há cerca de
quatro bilhões e seis milhões de anos e encerrado há 570 milhões de anos.
Divide-se em dois períodos: o Arcaico e o Proterozóico.
Período
Arcaico: o
planeta tinha uma atmosfera rica em CO2 e uma temperatura de superfície de
cerca de 1.000o C. Aos poucos e poucos a crosta endureceu e formaram-se os
oceanos. Nesse Período ocorreu uma chuva de meteoros que terminou há 4 bilhões
de anos e o surgimento de vida aquática na Terra, surgiu por volta de 3,85
bilhões de anos atrás. Os organismos eram organismos unicelulares, sem
membrana nuclear – procariontes –, capazes de sobreviver aos altos níveis
de radiação solar existentes na atmosfera sem oxigénio e sem camada do
ozono.
Até
aos nossos dias, os fósseis mais antigos encontrados na Terra - achados no
Arizona (EUA) – tinham 1,2 bilhões de anos. Mas, a vida evoluiu, deixando o
meio aquático e passando para o meio terrestre talvez há 2,6 bilhões de
anos. Para chegar a essa conclusão, Yumiko Watanabe, por meio de uma série
de métodos geoquímicos, encontrou um tipo de solo, datado de 2,6 a 2,7 bilhões
de anos, contendo carbono orgânico. A pesquisadora afirma que o carbono orgânico
representa restos de microrganismos que se desenvolveram sobre o solo. Isso
aponta para a possibilidade do desenvolvimento de uma atmosfera rica em oxigénio
anterior a essa data. “O desenvolvimento da camada de ozono, que protege a
vida na Terra das radiações cósmicas, requer uma atmosfera rica em oxigénio.
Isso significa que essa camada tem que ter surgido há mais de 2,6 bilhões de
anos”, afirma Hiroshi Ohmoto, outro autor do estudo e diretor do Centro de
Pesquisa em Astrobiologia. O surgimento da camada de ozono marca o início da
diminuição da temperatura terrestre.
Período
Proterozóico: situado entre
2,5 bilhões e 570 milhões de anos atrás. Aos organismos unicelulares do
Arcaico sucederam-se, no Proterozóico, os organismos eram unicelulares ou não
possuidores de membrana nuclear – eucariontes – que, para seu crescimento,
usavam o oxigénio existente na atmosfera, cada vez em maior quantidade.
Formas de vida simples e invertebradas começaram a aparecer no fim da Era Pré
– Câmbrica seguindo-se de organismos pluricelulares com células
diferenciadas em tecidos e órgãos – metazoários.
Sabe-se
que há aproximadamente 800 milhões de anos, quando na Terra existia apenas
um imenso continente, ocupando todo o pólo sul do planeta, a Rodínia, o
planeta começou a congelar, de forma que entre 730 e 630 milhões de anos atrás
a Terra virou uma “bola de neve”, com uma capa de gelo que chegava a 5
quilómetros de espessura (-110oC). O fenómeno quase acabou com todos os
seres pluricelulares simples que tinham acabado de surgir no planeta,
sobrevivendo apenas os que habitavam numa delgada faixa de mar na linha do
Equador, que teria permanecido a 10º C. Após esse período emergiram
continentes e formaram-se cinturões orogénicos à margem e entre os blocos
continentais.
O
bombardeio cósmico voltou na Era Paleozóica, entre 500 e 400 milhões de
anos atrás, correspondendo à chamada explosão câmbrica. Diversas criaturas
pluricelulares complexas, como os metazoários, desenvolveram-se
principalmente nos mares, evoluindo para os peixes, anfíbios e répteis, e,
posteriormente, “deram lugar” aos primatas e à espécie humana.
Invertebrados ancestrais dos aracnídeos e insectos também Multiplicaram. O
Eon Fanerozóico divide-se em três eras, sendo elas a Era Paleozoica,
Mesozoica e Cenozoica.
Era Paleozóica
Intervalo
de tempo que se estende de 570 a 245 milhões de anos atrás, quando surgiram
na Terra os primeiros peixes, plantas, animais terrestres e anfíbios.
Divide-se em seis períodos.
Período
Câmbrico: teve
início há cerca de 570 milhões de anos e durou cerca de 70 milhões de
anos. Sem grandes perturbações tectónicas, o Câmbrico apresenta, nas suas
rochas mais antigas, um grande número de fósseis com partes duras e já com
certo grau de evolução. Caracterizou-se por uma explosão evolutiva da vida
marinha.
Período
Ordovícico:
iniciou-se há cerca de 505 milhões de anos e teve duração de quase 70 milhões
de anos. A vida era essencialmente marinha: nessa época surgiram os peixes,
ao que tudo indica, nas águas doces. As únicas plantas conhecidas do Ordovícico
são as algas marinhas. Uma glaciação matou 55% das espécies há 450
milhões de anos.
Período
Silúrico:
intervalo de tempo geológico iniciado há cerca de 438 milhões de anos e que
durou cerca de 30 milhões de anos, caracterizado pelo surgimento das plantas
terrestres.
Período
Devónico: teve
início há 408 milhões de anos e durou até cerca de 48 milhões. A
fisionomia da Terra era substancialmente diferente da atual, pois havia um
gigantesco continente que se localizava no hemisfério sul e outras porções
de terra que se encontravam nas regiões equatoriais. A Sibéria estava
separada da Europa por um oceano. Durante o período, houve a colisão dos
continentes europeu e norte-americano, e muitas regiões sofreram intenso
vulcanismo e movimentos sísmicos. A evolução dos animais aquáticos no período
valeu-lhe também o nome de idade dos peixes. A vegetação, modesta no início
do período, desenvolveu-se gradualmente e foram aparecendo no Devónico médio,
as primeiras florestas. No final do Devónico, grande número de invertebrados
marinhos desapareceu sem que se conheça o motivo. A flora do período é, no
entanto, relativamente pobre em comparação com a do Período Carbónico.
Período
Carbónico: com
início há cerca de 360 milhões de anos e duração estimada de 75 milhões
de anos. Nesse período os primeiros répteis surgiram e formaram-se grandes
florestas em que predominavam os gigantescos grupos de plantas caracterizadas
por estarem diferenciadas em raiz, caule e folhas e não se reproduzirem por
sementes como também os pântanos, que chegavam a cerca de 30 metros de
altura, das quais derivaram espessas camadas de carvão.
Período
Pérmico: começou
há cerca de 285 milhões de anos e durou cerca de 40 milhões de anos. Através
de vários estudos realizados por diferentes instituições e Universidades,
conseguiu-se ter provas de que uma extinção maciça aconteceu na Terra entre
o Pérmico e o Triásico (transição ocorrida há 250 milhões de anos),
eliminando 90% das criaturas marinhas, 70% das espécies vertebradas
terrestres e quase todas as formas vegetais, extinção essa causada pelo
impacto de um corpo celeste. O choque teria desencadeado uma longa série de
erupções vulcânicas, que também teriam contribuído para essa destruição
em escala planetária. Grandes movimentos orogénicos resultaram, então, na
formação de importantes cadeias de montanhas, inclusive os Apalaches, no
leste dos Estados Unidos.
Era Mesozóica
Segunda
das três principais eras geológicas da Terra. Ocorrida de 245 a 66,4 milhões
de anos atrás, abrangeu os períodos Triásico, Jurássico e Cretáceo.
Entre
230 e 65 milhões de anos atrás, reinaram na Terra os dinossauros, quando então
uma grande calamidade astronómica, no Golfo do México, matou-os de uma vez,
sobrando apenas as tartarugas, os crocodilos e os mamíferos. Embora a extinção
de 250 milhões de anos atrás tenha sido mais violenta que a dos dinossauros,
acredita-se que o asteroide ou cometa tivesse as mesmas proporções nos dois
casos: em torno de 10 km de diâmetro. Ao longo de aproximadamente 180 milhões
de anos, durante a era Mesozoica, a Terra assistiu ao surgimento dos
ancestrais das principais espécies de plantas e animais que existem
atualmente.
Segundo
teoria do geólogo Alfred Lothar Wegener (1.880-1.930), delineada no início
do século XX, há 200 milhões de anos houve a separação da Pangeia – única
massa de terra existente até agora – em dois super continentes, Gonduana,
ao sul, e Laurásia, ao norte, que deram origem às atuais massas
continentais. Essa época registou a evolução de uma flora e de uma fauna
bem diversa das que se haviam desenvolvido durante a era Paleozoica e das que
surgiriam depois na Cenozoica.
Em
meados da era Mesozoica, a Laurásia, que incluía a maior parte da América
do Norte e da Eurásia, separou-se totalmente de Gonduana pelo mar de Tétis,
no hemisfério sul. Durante o Jurássico, a América do Norte começou a
afastar-se dos dois super continentes. No final do Jurássico, a África já
tinha começado a separar-se da América do Sul, e a Austrália e a Antárctica
já estavam desligadas da Índia
Período
Triásico:
iniciou-se há cerca de 245 milhões de anos e durou quase 40 milhões de
anos. Presentes na Terra desde o período Carbónico, os répteis só
dominaram os continentes a partir do Triásico, quando a falta de competição
provocou uma evolução explosiva da classe. No período surgiram os primeiros
dinossauros, de início pequenos e bípedes.
Período
Jurássico:
iniciado há cerca de 208 milhões de anos. Havia na Terra imensas regiões
pantanosas e outras desérticas. Na fauna, predominavam os répteis, entre os
quais a espécie mais numerosa era a dos dinossauros.
Período
Cretáceo:
iniciado há cerca de 144 milhões de anos, durou cerca de 77,6 milhões de
anos. As rochas cretáceas são de extrema importância para o homem, pois
nelas concentra-se grande parte das reservas de petróleo, bem como extensas
jazidas de carvão e de outros minerais. O Cretáceo caracteriza-se pela fauna
de dinossauros bizarros, tartarugas e crocodilos, répteis voadores, mamíferos
como os marsupiais e primatas e os insetívoros, os triconodontes e os
multituberculados.
O
fim do Cretáceo marcou uma época de crise para a vida, tal como no fim da
era Paleozoica. Um intenso vulcanism iniciou-se, levando a um aquecimento
global. As árvores com flores e frutos - angiospermas - diminuíram em 90%,
levando a um decréscimo, talvez na mesma proporção, dos dinossauros. Outros
grupos de animais decresceram gradualmente e os dinossauros e os répteis
voadores extinguiram-se abruptamente no fim do período, devido ao impacto do
asteroide na península do Yucatán, no Golfo do México. Essa extinção em
massa atingiu também os mamíferos triconodontes e as aves com dentes. Mas as
tartarugas, crocodilos e até sapos e salamandras sobreviveram ao impacto. A
temperatura, que era a maior desde a grande extinção (5 a 10º C maior que
hoje), cai vertiginosamente devido à poeira levantada que encobria o Sol. Ao
mesmo tempo ciclos de gigantescas inundações e secas alternaram-se no período,
cadeias de montanhas surgiram assim como a secura que predominou no globo.
Era
Cenozóica
Era
geológica que compreende os períodos Terciário e Quaternário. Nela, a
fauna e a flora adquiriram suas formas atuais. Iniciada há aproximadamente
66,4 milhões de anos, estende-se até a atualidade. Nos últimos 50 milhões
de anos todos as oscilações da temperatura tiveram como origem a posição
do Sol em relação à Terra, devido à mudança no eixo de inclinação desta
em relação àquele. Ou seja, as glaciações ocorridas tiveram lugar devido
às alterações periódicas dessa posição relativa, que varia a cada 41.000
anos. Há 3,6 milhões de anos o gelo cresceu no norte e o planeta ficou mais
frio. A África secou desaparecendo assim as matas onde viviam os hominídeos,
fazendo surgir o género Homo adaptado a caminhar nos campos. Há 900 mil
anos, o atual padrão de glaciações, de 100 mil anos de duração com
intervalos de 8 a 40 mil anos, estabeleceu-se.
Período
Terciário:
primeiro dos dois períodos da era Cenozoica. Iniciado há 66,4 milhões de
anos, abrange cerca de 65 milhões de anos. Foi a época em que surgiram as
montanhas e durante o qual a face do planeta assumiu a sua forma atual. Os
movimentos sísmicos, então registrados, provocaram o surgimento das grandes
cadeias de montanhas que conhecemos hoje, tais como, os Andes, os Alpes, os
Himalaias e a cadeia de vulcões localizada na região ocidental da América
do Norte.
Período
Quaternário:
último período da era Cenozoica, marcado pelo aparecimento do homem. Também
chamado Antropozoico, abrange cerca de 1,6 milhão de anos. Foram registradas
5 glaciações sucessivas e 4 recuos da camada de gelo, que duraram ao todo
cerca de 2 milhões de anos, com a última iniciando-se há 22 mil anos (no
seu auge, há 18 mil anos, o gelo chegava à Inglaterra) e terminando há 10
mil anos atrás. Isso afectou excessivamente o desenvolvimento da fauna e da
flora no hemisfério norte. Como as outras espécies, os primeiros humanos
deslocaram-se em consequência das glaciações, mas, ao contrário de algumas
delas, adaptaram-se às mudanças e sobreviveram ao que se conhece como a
grande idade do gelo. Achava-se que esses primeiros imigrantes humanos a saírem
da África fossem os Homo Eretos.
Tudo é evolução... ás
vezes observamos as catástrofes e culpamos o homem (e não estou aqui
tirando sua culpa pelos grandes ‘estragos’ que ele vem cometendo em nome
do progresso), mas temos que convir que a natureza também tem seu ritmo e seu
ciclo. Há quem diga que nesse momento da vida planetária, deveríamos estar
vivendo uma Era Glacial... (?)
COMENTÁRIO FINAL:
Muito bom seu trabalho, professora Jeana, afinal o homem ‘sabe’ tudo desde o princípio mas descura a sua própria condição neste Planeta, afectando-o cada vez mais com sua forma de Civilização que já causou mais dano nas últimas décadas do que em milhares de anos de evolução.
O facto é que os degelos polares já começaram e o nível das águas do mar vão subir, além das alterações climáticas que estão a fazer-se sentir, sendo certo que tudo isso vai marcar mais um perído de grandes mudanças na Terra para se iniciar uma Nova Era.
Penso
que devia falar desse facto aos alunos que certamente entenderão que algo houve
noutros tempos também que deram origem à mesma situação! Afinal, a história
se repete e como vc mesma diz no início de seu trabalho, essas mudanças
geológicas "tiveram
tanto a interferência do homem como a inerente à Natureza" e muitas
coisas aconteceram concerteza!